http://ludotech.eu/jogos/forca/alim-sau.htm
http://cvc.instituto-camoes.pt/jogoemlinha/forca/menu.html
Terça-feira, 10 de Janeiro de 2012
O acordo tortográfico, por Miguel Esteves Cardoso
Como já devem ter reparado, o Portal do Fado não adopta o novo acordo ortográfico.
Achamos este acordo desajustado, inútil e patético, e como tal não o "subscrevemos".
Ao ler um artigo de Miguel Esteves Cardoso de 1986, a propósito do Acordo Ortográfico de então, ficamos ainda mais convictos da nossa posição.
Transcrevo a seguir algumas partes do artigo de MEC, que não obstante terem piada não deixam de fazer todo o sentido:
"Dantes, cada país exercia o direito inalienável de escrever a língua portuguesa como queria. As variações ortográficas tinham graça e ajudavam a estabelecer a identidade cultural de cada país. Agora, com o Acordo Tortográfico, a diferença está em serem os Portugueses a escreverem como todos os outros países querem."
"Os Portugueses, no fundo, assinaram um Pacto Ortográfico que soube a Pato. Ninguém imagina os Espanhóis, os Franceses ou os Ingleses a lançarem-se em acordos tortográficos, a torto e a direito, como os Portugueses. Cada país – seja Timor, seja o Brasil, seja Portugal – tem o direito e o dever de deixar desenvolver um idioma próprio, Portugal já tem uma língua e uma ortografia próprias. Há já bastante tempo. O Brasil, por sua vez, tem conseguido criar um idioma de base portuguesa que é riquíssimo e que se acrescenta ao nosso. Os países africanos que foram colónias nossas avançam pelo mesmo caminho. Tentar «uniformizar» a ortografia, em culturas tão diversas, por decretos aleatórios que ousam passar por cima dos misteriosos mecanismos da língua, traduz um insuportável colonialismo às avessas, um imperialismo envergonhado e bajulador que não dignifica nenhuma das várias pátrias envolvidas. É uma subtracção totalitária."
"A ortografia brasileira tem a sua razão de ser, e a sua identidade própria. Quando lemos um livro brasileiro, desde um «Pato Donald» ao Guimarães Rosa, essas variações são perfeitamente compreensíveis. Até achamos graça, como os Brasileiros acham graça à nossa. Tentar «uniformizar» artificialmente a ortografia, para além das bases mínimas da Convenção de 1945, é da mesma ordem de estupidez que pretender que todos aqueles que falam português falem com a pronúncia de Celorico ou de Salvador da Bahia. É ridículo, é anticultural e é humilhante para todos nós. Se não tivessem já gozado, era caso para mandá-los gozar com o Camões."
"As línguas são indissociáveis das culturas e das histórias nacionais, e elas são diferentes em todos os países que hoje falam português à maneira deles. A maneira deles é a maneira deles, e a nossa é a nossa. A única diferença é que Portugal já há muito achou a sua própria maneira, tanto mais que a pôde ensinar a outros povos, e é um ultraje e um desrespeito pretender que passemos a escrever como os Moçambicanos ou como os Brasileiros. Eles são países novinhos. Nós somos velhinhos. E não faz sentido ensinar os velhinhos a dizer gugudadá, só para que possam «falar a mesma língua» que as criancinhas."
"Dizem que é «mais conveniente». Mais conveniente ainda era falarmos todos inglês, que dá muito mais jeito. Ou esperanto. Dizem que a informática não tem acentos. É mentira. Basta um esforçozinho de nada, como já provaram os Franceses e já vão provando alguns programadores portugueses. Dizem que é mais racional. Mas não é racional andar a brincar com coisas sérias. A nossa língua e a nossa ortografia são das poucas coisas realmente sérias que Portugal ainda tem. É irracional querer misturar a política da língua com a língua da política.
O que vale é que, neste mesmo momento, muitos Portugueses – escritores, jornalistas e outros utentes da nossa língua – estão a organizar-se para combater esta inestética monstruosidade. Que graça tinha se se fizesse um Acordo Ortográfico e nenhum português, brasileiro ou cabo-verdiano o obedecesse. Isso sim, seria um acordo inteligente. Concordar em discordar é a verdadeira prova de civilização."
http://www.portaldofado.net/
Achamos este acordo desajustado, inútil e patético, e como tal não o "subscrevemos".
Ao ler um artigo de Miguel Esteves Cardoso de 1986, a propósito do Acordo Ortográfico de então, ficamos ainda mais convictos da nossa posição.
Transcrevo a seguir algumas partes do artigo de MEC, que não obstante terem piada não deixam de fazer todo o sentido:
"Dantes, cada país exercia o direito inalienável de escrever a língua portuguesa como queria. As variações ortográficas tinham graça e ajudavam a estabelecer a identidade cultural de cada país. Agora, com o Acordo Tortográfico, a diferença está em serem os Portugueses a escreverem como todos os outros países querem."
"Os Portugueses, no fundo, assinaram um Pacto Ortográfico que soube a Pato. Ninguém imagina os Espanhóis, os Franceses ou os Ingleses a lançarem-se em acordos tortográficos, a torto e a direito, como os Portugueses. Cada país – seja Timor, seja o Brasil, seja Portugal – tem o direito e o dever de deixar desenvolver um idioma próprio, Portugal já tem uma língua e uma ortografia próprias. Há já bastante tempo. O Brasil, por sua vez, tem conseguido criar um idioma de base portuguesa que é riquíssimo e que se acrescenta ao nosso. Os países africanos que foram colónias nossas avançam pelo mesmo caminho. Tentar «uniformizar» a ortografia, em culturas tão diversas, por decretos aleatórios que ousam passar por cima dos misteriosos mecanismos da língua, traduz um insuportável colonialismo às avessas, um imperialismo envergonhado e bajulador que não dignifica nenhuma das várias pátrias envolvidas. É uma subtracção totalitária."
"A ortografia brasileira tem a sua razão de ser, e a sua identidade própria. Quando lemos um livro brasileiro, desde um «Pato Donald» ao Guimarães Rosa, essas variações são perfeitamente compreensíveis. Até achamos graça, como os Brasileiros acham graça à nossa. Tentar «uniformizar» artificialmente a ortografia, para além das bases mínimas da Convenção de 1945, é da mesma ordem de estupidez que pretender que todos aqueles que falam português falem com a pronúncia de Celorico ou de Salvador da Bahia. É ridículo, é anticultural e é humilhante para todos nós. Se não tivessem já gozado, era caso para mandá-los gozar com o Camões."
"As línguas são indissociáveis das culturas e das histórias nacionais, e elas são diferentes em todos os países que hoje falam português à maneira deles. A maneira deles é a maneira deles, e a nossa é a nossa. A única diferença é que Portugal já há muito achou a sua própria maneira, tanto mais que a pôde ensinar a outros povos, e é um ultraje e um desrespeito pretender que passemos a escrever como os Moçambicanos ou como os Brasileiros. Eles são países novinhos. Nós somos velhinhos. E não faz sentido ensinar os velhinhos a dizer gugudadá, só para que possam «falar a mesma língua» que as criancinhas."
"Dizem que é «mais conveniente». Mais conveniente ainda era falarmos todos inglês, que dá muito mais jeito. Ou esperanto. Dizem que a informática não tem acentos. É mentira. Basta um esforçozinho de nada, como já provaram os Franceses e já vão provando alguns programadores portugueses. Dizem que é mais racional. Mas não é racional andar a brincar com coisas sérias. A nossa língua e a nossa ortografia são das poucas coisas realmente sérias que Portugal ainda tem. É irracional querer misturar a política da língua com a língua da política.
O que vale é que, neste mesmo momento, muitos Portugueses – escritores, jornalistas e outros utentes da nossa língua – estão a organizar-se para combater esta inestética monstruosidade. Que graça tinha se se fizesse um Acordo Ortográfico e nenhum português, brasileiro ou cabo-verdiano o obedecesse. Isso sim, seria um acordo inteligente. Concordar em discordar é a verdadeira prova de civilização."
http://www.portaldofado.net/
Terça-feira, 29 de Novembro de 2011
Sexta-feira, 11 de Novembro de 2011
Terça-feira, 20 de Setembro de 2011
JÁ COMEÇARAM AS AULAS!
Olá a todos!
Somos o Víctor e a Helena, os novos professores da EOI. Já começamos as aulas, mas ainda podem inscrever-se, até ao dia 30 deste mês.
Somos o Víctor e a Helena, os novos professores da EOI. Já começamos as aulas, mas ainda podem inscrever-se, até ao dia 30 deste mês.
MATRÍCULA CURSO 2011/2012
OS RECORDAMOS QUE EL PLAZO DE MATRÍCULA DE PORTUGUÉS FINALIZA EL DÍA 30 DE SEPTIEMBRE.
Segunda-feira, 28 de Março de 2011
Viagem ao Porto
Vamos fazer uma visita de estudo ao Porto. Queres vir também? Dirige-te a uma das professoras do Departamento e inscreve-te.
Concurso de fotografia
Já há muitos alunos a mandar fotos de viagens. Dá uma olhadela, comenta e envia as tuas fotos também.
Fotografias já apresentadas
Fotografias já apresentadas
Sexta-feira, 18 de Fevereiro de 2011
III Concurso de Fotografia "Pasaba por ahí"
Vejam o regulamento para o concurso de fotografias e participem: gostávamos de conhecer as vossas experiências e de saber as vossas opiniões sobre as fotos que se apresentem.
Regulamento do concurso
Regulamento do concurso
Sexta-feira, 21 de Janeiro de 2011
Rádios de Portugal
Deixamos um conjunto de sugestões de rádios portuguesas para que possam ouvir programas sobre diferentes temas atuais. Falem-nos sobre o que mais gostaram de ouvir.
http://radiosdeportugal.com/
http://radiosdeportugal.com/
Segunda-feira, 20 de Dezembro de 2010
A varanda do Frangipani - sugestão de leitura de Natal
A nossa colega Chus de 1º NA manda-nos uma proposta de leitura para o Natal:
" Hoje eu sei: África rouba-nos o ser. E nos vaza de maneira inversa: enchendo-nos de alma"
Mia Couto. " A Varanda do Frangipani "
O Frangipani é uma árvore pequena dos trópicos que tem uma flor branca, amarela ou cor- de- rosa com um cheiro doce, um perfume entre o jasmin e a flor de laranjeira. Também é a protagonista deste romance de Mia Couto.
Em torno ao Frangipani narra-se a história de uns velhos abandonados por tudo e por todos, num país abandonado à sua sorte ( Moçambique), onde a lei do mais esperto é a que impera. O romance passa-se no período inicial de recuperação da guerra. Um " xipoco" ou fantasma, entra no corpo de um polícia e vai para a fortaleza de S. Nicolau ( agora um asilo) desvendar o assassinato do director pelo asilo, onde toda a acção se desenvolve, e busca o verdadeiro culpado: " o culpado que você procura , caro Izidine, não é uma pessoa, é a guerra. Todas as culpas são da guerra".
Mia couto apresenta Moçambique como um país novo e ao mesmo tempo profundamente ligado às tradições e aos mitos ancestrais, motivo que faz as personagens mover-se entre numerosas contradições e perder-se num labirinto de sentimentos.
É um livro de fácil leitura que te surpreende com formosas metáforas e palavras inventadas engraçadas que são a expressão exacta do que nos quer transmitir (" inutensilio" ).
Deixo-vos algumas frases de que tanto gostei:
" A velhice que é senão a morte estagiando em nosso corpo?
" Nós, mulheres, estamos sempre sob a sombra da lâmina: impedidas de viver enquanto novas; acusadas de não morrer quando já velhas"
"... a tristeza tem artes de fazer música"
" Quem é gota sempre pinga, quem é caçimbo se evapora"
E como despedida, diz Mia Couto sob África: " Aqui é onde a terra se despe e o tempo se deita".
Ideal para o Natal!
" Hoje eu sei: África rouba-nos o ser. E nos vaza de maneira inversa: enchendo-nos de alma"
Mia Couto. " A Varanda do Frangipani "
O Frangipani é uma árvore pequena dos trópicos que tem uma flor branca, amarela ou cor- de- rosa com um cheiro doce, um perfume entre o jasmin e a flor de laranjeira. Também é a protagonista deste romance de Mia Couto.
Em torno ao Frangipani narra-se a história de uns velhos abandonados por tudo e por todos, num país abandonado à sua sorte ( Moçambique), onde a lei do mais esperto é a que impera. O romance passa-se no período inicial de recuperação da guerra. Um " xipoco" ou fantasma, entra no corpo de um polícia e vai para a fortaleza de S. Nicolau ( agora um asilo) desvendar o assassinato do director pelo asilo, onde toda a acção se desenvolve, e busca o verdadeiro culpado: " o culpado que você procura , caro Izidine, não é uma pessoa, é a guerra. Todas as culpas são da guerra".
Mia couto apresenta Moçambique como um país novo e ao mesmo tempo profundamente ligado às tradições e aos mitos ancestrais, motivo que faz as personagens mover-se entre numerosas contradições e perder-se num labirinto de sentimentos.
É um livro de fácil leitura que te surpreende com formosas metáforas e palavras inventadas engraçadas que são a expressão exacta do que nos quer transmitir (" inutensilio" ).
Deixo-vos algumas frases de que tanto gostei:
" A velhice que é senão a morte estagiando em nosso corpo?
" Nós, mulheres, estamos sempre sob a sombra da lâmina: impedidas de viver enquanto novas; acusadas de não morrer quando já velhas"
"... a tristeza tem artes de fazer música"
" Quem é gota sempre pinga, quem é caçimbo se evapora"
E como despedida, diz Mia Couto sob África: " Aqui é onde a terra se despe e o tempo se deita".
Ideal para o Natal!
Segunda-feira, 13 de Dezembro de 2010
Uma página para esclarecer dúvidas de pronúncia
Prontuário sonoro
O Prontuário Sonoro da Rádio e Televisão de Portugal é uma colecção, em actualização permanente, de palavras da língua materna que apresentem dificuldades ou dúvidas de pronúncia e de outras de línguas estrangeiras com uso continuado no audiovisual português (por exemplo, termos científicos, nomes de escritores, artistas e políticos, nomes de lugares, etc.).
Digam-nos se este prontuário vos ajudou a pronunciar melhor algumas palavras.
O Prontuário Sonoro da Rádio e Televisão de Portugal é uma colecção, em actualização permanente, de palavras da língua materna que apresentem dificuldades ou dúvidas de pronúncia e de outras de línguas estrangeiras com uso continuado no audiovisual português (por exemplo, termos científicos, nomes de escritores, artistas e políticos, nomes de lugares, etc.).
Digam-nos se este prontuário vos ajudou a pronunciar melhor algumas palavras.
Sexta-feira, 19 de Novembro de 2010
Um novo desafio!
Tendo em conta que recebemos um conjunto de livros novos e que há outros emprestados, gostávamos de os convidar a partilhar impressões de leitura. De cada vez que levarem um livro do qual gostem particularmente, podiam fazer uma pequena recomendação aos colegas.
O colega Benito (1ºNA) resolveu dar o exemplo e mandou-nos um comentário do livro O último voo do flamingo, de Mia Couto. Aqui vai!
<< Narra as desventuras de um tradutor moçambicano e de um Capacete Azul italiano que tem de fazer uma investigação sobre a morte de um colega, por causa de uma mina anti-pessoal depois da descolonização.
As tradições, os costumes, as superstições, as renovadas autoridades e as forças vivas da comunidade - a prostituta, o feiticeiro, o padre e a mulher do Governador- marcam o acontecer do romance.
Mostra o dia-a-dia da comunidade, onde a mulher não tem importância. "Para eles ideia de mulher se explica na cabeça de outro homem" diz a prostituta, mas no fundo são as mulheres que têm o peso do quotidiano às costas, elas ajudam-se e odeiam-se.
A tradição é quase sempre favorável ao homem "Se uma mulher perder a fertilidade, o homem terá direito a não ter deveres".
Tudo decorre normalmente até que o desgoverno prejudica um da própria comunidade - o tonto- que morre. A situação muda. Enquanto foi um estrangeiro a morrer não importou, mas quando foi um membro da comunidade foi necessário procurar uma solução; descobrindo-se então a corrupção que se faz com a ajuda internacional e a administração.
O italiano tem o seu passado, o tradutor o seu presente e a população só Deus sabe se terá futuro imediato.>>
Sexta-feira, 12 de Novembro de 2010
MAGUSTO 2010

Para quem não teve a oportunidade de o fazer, ainda vai a tempo de celebrar o Magusto e de se deliciar com as típicas castanhas assadas. Aproveitando que nem é assim tão longe...
http://www.cm-elvas.pt/agenda_cultural/index.htm
Por falar nisso... Querem conhecer a lenda de São Martinho e saber por que razão existe o chamado "Verão de São Martinho"?
http://www.infopedia.pt/$lenda-de-s.-martinho
E, para terminar, fica um desafio culinário para quem tiver tempo e vontade:
http://agal-gz.org/blogues/index.php/gent/2008/10/31/o-magusto
Quarta-feira, 3 de Novembro de 2010
Um novo exercício!
Este mês propomos um exercício para recordar as profissões através do jogo da forca!
http://guida.querido.net/jogos/forca/profiss.htm
Quantos acertos? E quantas cabeças pendentes? ;)
http://guida.querido.net/jogos/forca/profiss.htm
Quantos acertos? E quantas cabeças pendentes? ;)
Sexta-feira, 15 de Outubro de 2010
Vamos saber mais sobre o Porto?
Entra na página do Instituto Camões e vê o episódio sobre o Porto do programa Cuidado com a Língua! Descobre algumas expressões típicas do Norte do país.
http://cvc.instituto-camoes.pt/aprender-portugues/a-falar/cuidado-com-a-lingua.html
http://cvc.instituto-camoes.pt/aprender-portugues/a-falar/cuidado-com-a-lingua.html
Sexta-feira, 1 de Outubro de 2010
O livro do mês
O OUTRO PÉ DA SEREIA - MIA COUTO“A viagem não começa quando se percorrem as distâncias, mas quando se atravessam as nossas fronteiras interiores.”
Mia Couto
O romance começa com o enterro de uma pequena estrela num descampado chamado Antigamente. O pastor Madzero Zero e sua mulher Mwadia procuram o advinho Lázaro Vivo e pedem permissão para entrar na floresta e enterrar a estrela. Na beira do rio, encontram uma estátua de Nossa Senhora sem um pé, um esqueleto e um baú com documentos antigos. O marco incial para o início de duas ousadas travessias, traçadas pelo sincretismo e pelos contextos históricos, políticos e sociais que marcaram Moçambique desde a origem do colonialismo português até 2002, dez anos após o término da guerra civil que sangrou a nação durante dezasseis anos.
A imagem de Nossa Senhora com o pé cortado se divide em dois tempos: Na histórica incursão do jesuíta português D. Gonçalo da Silveira que trouxe a imagem benzida pelo papa para a sua introdução na corte do Império de Monomotapa em 1560 às margens do rio Zambeze, e, em 2002, no retorno de Mwadia a Vila Longe com a missão de introduzir a imagem num lugar sagrado. Mwadia irá se deparar com suas reminiscências e medos, distante das consentidas impossibilidades de Antigamente, e será o elo entre as duas travessias que se unem com a imagem de Nossa Senhora e a necessidade de desvendar as sombras.
“Receio de que os seus já não lhe pertencessem, e que a velha casa estivesse morta.”
Todos os personagens são riquíssimos, construções preciosas do início de processo de colonização e da sociedade de Moçambique em 2002, independente desde 1975. A relação entre os portugueses, os indianos e os negros é revelada nas travessias, as etnias são marcadas, como os rios que deságuam num oceano que, sem margens à vista, é como uma náu à beira do abismo descrita pelo autor.
A chegada dos estrangeiros (afro-americanos) é aguardada com ansiedade, representa uma fonte de renda para a desolada cidade entregue ao passado. A comunidade encontra-se para forjar uma memória sobre a escravidão, já relegada ao esquecimento (é necessário esquecer para sobreviver) até pelas contradições que traz em sua própria constituição, como a captura e venda de escravos realizada pelos próprios negros. Como o escravo Xilundo que foi vendido pelo próprio pai Baba Inhamoyo, proprietário e negociantes de escravos: “No processo de ser escravo ele aprenderia a escravizar os outros.”
Os afro-americanos também precisam forjar uma presença para garantirem a sobrevivência com contas superfaturadas para ONGS que alimentam a pobreza e a autocomiseração de povos rendidos à caridade.
A lucidez das falas do barbeiro Arcanjo Mistura, guardião do espírito revolucionário, condenado a guardar seu idealismo numa fortaleza sem muros, contrapõe-se com a visão do empresário Casuarino, com a passividade do negro Zeca Matambira, funcionário do desativado correio, que teve de abandonar a carreira de boxeador porque não conseguia bater em brancos ou mulatos, e com a morte em vida do goês Jesustino Rodrigues que de tempos em tempos troca de nome em busca de identidade.
As alienações e os esquecimentos são lidos nas palavras que secaram em Zero Madzero ou na canoa que se liberta da margem do tempo e ganha o rio na lucidez ou no delírio de Mwadia. Nos retratos da sociedade que se erguem na parede dos ausentes no interior da alma da protagonista.
Mia Coutro traz à tona a origem poética da língua portuguesa, a beleza e o alcance das metáforas bem empregadas, a reflexão da história que corre como uma rio rumo aos oceanos e a necessidade de reconstruir os pés que representem a realidade das sociedades.
O final do romance é excepcional. Dá ao leitor a dimensão ampliada de tudo o que lera nos capítulos anteriores. Versos são extraídos da prosa e são vestígios para a conclusão. Um toque de mestre que transforma o livro numa canoa que no dizer da protagonista Mwadia é o que faltava em sua vida.
“Um livro é uma canoa. Este era o barco que lhe faltava em Antigamente. Tivesse livros e ela faria a travessia para o outro lado do mundo, para o outro lado de si mesma.”
A imagem de Nossa Senhora, ou Nzuzu, ou Kianda, desliza nos cursos das travessias. Seus pés são Mwadia que une e sustenta a travessia dos sonhos e histórias. Existem crenças que não precisam de alicerces em solo firme, são como água, ar, vento e se equilibram no ventre das palavras e dos silêncios. Quando expostas ao mundo trazem à tona o brilho das pequenas estrelas que precisam de um firmamento próprio para crescerem e iluminarem realidades.
“A viagem termina quando encerramos as nossas fronteiras interiores, Regressamos a nós mesmos, não a um lugar.”
Helena Sut
Publicado no Recanto das Letras em 23/06/2006
Sexta-feira, 24 de Setembro de 2010
Início do ano lectivo
Olá a todos!
Somos a Inma e a Lígia, as novas professoras de português da EOI de Navalmoral. Como sabem, já começaram as aulas, mas ainda podem matricular-se até ao dia 30 deste mês. Os que já se inscreveram, têm neste blogue e na página da EOI as referências dos manuais adoptados e/ou recomendados.
Uma nota para os alunos que têm aulas às terças e quintas: na sexta, dia 1, há aulas :).
Teremos também uma prova de nível no dia 27 às 18.00. Já se podem inscrever na secretaria da escola.
Deixamos uma sugestão musical para o mês de outubro em Cáceres:
http://www.festivaldemusicaantiguadecaceres.es/index.php?option=com_content&view=article&id=33&Itemid=41
Somos a Inma e a Lígia, as novas professoras de português da EOI de Navalmoral. Como sabem, já começaram as aulas, mas ainda podem matricular-se até ao dia 30 deste mês. Os que já se inscreveram, têm neste blogue e na página da EOI as referências dos manuais adoptados e/ou recomendados.
Uma nota para os alunos que têm aulas às terças e quintas: na sexta, dia 1, há aulas :).
Teremos também uma prova de nível no dia 27 às 18.00. Já se podem inscrever na secretaria da escola.
Deixamos uma sugestão musical para o mês de outubro em Cáceres:
http://www.festivaldemusicaantiguadecaceres.es/index.php?option=com_content&view=article&id=33&Itemid=41
Quarta-feira, 8 de Setembro de 2010
Novos professores! Novas ilusões!
Amanhã, 9 de Setembro, chegam dois novos professores a este Departamento de Português, já que os que aqui estivemos neste último ano (Esther Martín Vázquez e eu próprio) daremos aulas longe de Navalmoral.
Haverá, portanto, novas ilusões, novos projectos, novas metodologias nas aulas, novas relações com este (ou outro) blogue e com a página do Facebook. Por tudo isso, só podemos ser optimistas.
Agora é o momento de agradecer o apoio que recebi dos alunos, dos colegas de Português das outras Escolas Oficiais de Línguas e de todos os que trabalharam e trabalham nesta Escuelina (o nome afectuoso para esta Escuela Oficial de Idiomas de Navalmoral de la Mata); fica, portanto, aqui a minha gratidão a todos eles. Foram quatro anos excelentes, com pouquíssimos momentos enfadonhos e muitos, muitos, cheios de sorrisos, alegrias e cumplicidades.
Concluo e a última linha só pode ser para Lígia Borges: bem-vinda!
José María Durán Gómez
Publicada por
Departamento de Português
em
23:52
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Terça-feira, 7 de Setembro de 2010
Chegou a carrinha da Gulbenkian!
Pois és, chegou a carrinha da FCG à Escola Oficial de Línguas de Navalmoral carregada com montes de livos. O Serviço Internacional respondeu com rapidez ao nosso pedido e enviou cerca de cinquenta livros: a História e Antologia da Literatura Portuguesa, a belíssima edição de As Origens de Portugal de Rómulo de Carvalho, livros de arte (Souza Cardoso ou Paula Rego, entre outros), de teoria da linguagem, de ensino de língua portuguesa, etc.
Quem quiser ler estes livros, só tem de vir à biblioteca da Escola. É fácil.
Claro, não podíamos acabar esta notícia com o nosso grande agradecimento a Fundação Calouste Gulbenkian pelo seu importante apoio.
Publicada por
Departamento de Português
em
12:09
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