sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

O Princípio da Incerteza, de Manoel de Oliveira

O Princípio da Incerteza
O Princípio da Incerteza é um filme realizado por Manoel de Oliveira. Está baseado no romance O Princípio da Incerteza - Jóia de família, de Agustina Bessa-Luís.
Acho que é um filme realizado com muita sabedoria. Parece uma crítica da cultura portuguesa e, em consequência, à vida europeia e às relações humanas; a vida que só busca o prazer e a comodidade, afastada de uma felicidade fruto do amor verdadeiro. Quando acabei de vê-lo fiquei um tanto ou quanto desconcertado. Não compreendi muito bem o argumento e tive que vê-lo uma segunda vez porque o argumento é complexo: António e José são dois amigos que partilham tudo desde a sua infância. Eles vivem numa aldeia perto do Porto. António é um rapaz rico e de boa família. Pelo contrário, José é filho de Celsa, a governanta da casa de António. Quando são adultos, António casa-se com Camila. Ela casa-se com António somente para melhorar a má situação económica da família. Porém, por quem sempre estivera ela apaixonada era José. Além disso, António tem Vanessa como amante, que é parceira de José em um negócio nada claro e é uma mulher de maus costumes, segundo os cânones sociais. Vanessa forma parte da vida de António até o corromper. As coisas terminam mal para as vidas de António, Camila, José e Vanessa. António morre entre as chamas numa discoteca. José termina em prisão. Vanessa vai para Espanha e Camila é investigada pela polícia.
Este filme pertence ao género do drama. É chamativo a ambientação da cultura portuguesa. De entre os principais elementos costumbristas podem-se destacar os ritos de casamento e funerais, as reuniões gastronómicas ou as diferentes salas de reunião nas casas das personagens. No filme joga um papel alegórico tanto o rio Douro quanto o comboio como símbolos de uma vida que se vai.
No plano da técnica chama a atenção o abundante número de planos fixos. A música pausada ao longo do filme tem uma grande importância. Mostra a angustia existencial das personagens e da sociedade. Está em concordância com o ritmo lento do filme.
Em conclusão, este filme mostra como as pessoas não sabemos nada e estamos confusos. A vida é um mistério e nela há incerteza, onde nada é o que parece.

Luis Carlos Izquierdo (1º de Nível Avançado)

4 comentários:

Departamento de Português disse...

Obrigado, Luis pelo comentário. Que bom que tenhas gostado do filme de Manoel de Oliveira! Qual será o teu próximo texto?

Anónimo disse...

o uso do verbo estar não é correcto na primeira frase do poste . O correcto é o verbo ser , pelo que um filme não está , mas é baseado !
Cumpr
JL rodrigues

S disse...

Muito bom o artigo, Luis. Eu que nem costumo ver filmes do Manuel de Oliveira fiquei com vontade de o fazer :)

Susana

Departamento de Português disse...

Caro JL Rodrigues,
Obrigado pela corre(c)ção. Sempre aprendemos com os comentários dos leitores de Portugalite.

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