sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

III Concurso de Fotografia "Pasaba por ahí"

Vejam o regulamento para o concurso de fotografias e participem: gostávamos de conhecer as vossas experiências e de saber as vossas opiniões sobre as fotos que se apresentem.

Regulamento do concurso

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Rádios de Portugal

Deixamos um conjunto de sugestões de rádios portuguesas para que possam ouvir programas sobre diferentes temas atuais. Falem-nos sobre o que mais gostaram de ouvir.

http://radiosdeportugal.com/

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

A varanda do Frangipani - sugestão de leitura de Natal

A nossa colega Chus de 1º NA manda-nos uma proposta de leitura para o Natal:

" Hoje eu sei: África rouba-nos o ser. E nos vaza de maneira inversa: enchendo-nos de alma"

Mia Couto. " A Varanda do Frangipani "

O Frangipani é uma árvore pequena dos trópicos que tem uma flor branca, amarela ou cor- de- rosa com um cheiro doce, um perfume entre o jasmin e a flor de laranjeira. Também é a protagonista deste romance de Mia Couto.

Em torno ao Frangipani narra-se a história de uns velhos abandonados por tudo e por todos, num país abandonado à sua sorte ( Moçambique), onde a lei do mais esperto é a que impera. O romance passa-se no período inicial de recuperação da guerra. Um " xipoco" ou fantasma, entra no corpo de um polícia e vai para a fortaleza de S. Nicolau ( agora um asilo) desvendar o assassinato do director pelo asilo, onde toda a acção se desenvolve, e busca o verdadeiro culpado: " o culpado que você procura , caro Izidine, não é uma pessoa, é a guerra. Todas as culpas são da guerra".

Mia couto apresenta Moçambique como um país novo e ao mesmo tempo profundamente ligado às tradições e aos mitos ancestrais, motivo que faz as personagens mover-se entre numerosas contradições e perder-se num labirinto de sentimentos.

É um livro de fácil leitura que te surpreende com formosas metáforas e palavras inventadas engraçadas que são a expressão exacta do que nos quer transmitir (" inutensilio" ).

Deixo-vos algumas frases de que tanto gostei:

" A velhice que é senão a morte estagiando em nosso corpo?

" Nós, mulheres, estamos sempre sob a sombra da lâmina: impedidas de viver enquanto novas; acusadas de não morrer quando já velhas"

"... a tristeza tem artes de fazer música"

" Quem é gota sempre pinga, quem é caçimbo se evapora"

E como despedida, diz Mia Couto sob África: " Aqui é onde a terra se despe e o tempo se deita".

Ideal para o Natal!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Uma página para esclarecer dúvidas de pronúncia

Prontuário sonoro

O Prontuário Sonoro da Rádio e Televisão de Portugal é uma colecção, em actualização permanente, de palavras da língua materna que apresentem dificuldades ou dúvidas de pronúncia e de outras de línguas estrangeiras com uso continuado no audiovisual português (por exemplo, termos científicos, nomes de escritores, artistas e políticos, nomes de lugares, etc.).

Digam-nos se este prontuário vos ajudou a pronunciar melhor algumas palavras.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Um novo desafio!

Tendo em conta que recebemos um conjunto de livros novos e que há outros emprestados, gostávamos de os convidar a partilhar impressões de leitura.  De cada vez que levarem um livro do qual gostem particularmente, podiam fazer uma pequena recomendação aos colegas.

O colega Benito (1ºNA) resolveu dar o exemplo e mandou-nos um comentário do livro O último voo do flamingo, de Mia Couto. Aqui vai!

<< Narra as desventuras de um  tradutor moçambicano e de um Capacete Azul italiano que tem de fazer uma investigação sobre a morte de um colega, por causa de uma mina anti-pessoal depois da descolonização.

As tradições, os costumes, as superstições, as renovadas autoridades e as forças vivas da comunidade - a prostituta, o feiticeiro, o padre e a mulher do Governador- marcam o acontecer do romance.

Mostra o dia-a-dia da comunidade, onde a mulher não tem importância. "Para eles  ideia de mulher se explica na cabeça de outro homem" diz a prostituta, mas no fundo são as mulheres que têm o peso do quotidiano às costas, elas ajudam-se e odeiam-se.

A tradição é quase sempre favorável ao homem "Se uma mulher perder a fertilidade, o homem terá direito a não ter deveres".

Tudo decorre normalmente até que o desgoverno prejudica um da própria comunidade - o tonto- que morre. A situação muda. Enquanto foi um estrangeiro a morrer não importou, mas quando foi um membro da comunidade foi necessário procurar uma solução; descobrindo-se então a corrupção que se faz com a ajuda internacional e a administração.

O italiano tem o seu passado, o tradutor o seu presente e a população só Deus sabe se terá futuro imediato.>>

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

MAGUSTO 2010

Castanhas

Para quem não teve a oportunidade de o fazer, ainda vai a tempo de celebrar o Magusto e de se deliciar com as típicas castanhas assadas. Aproveitando que nem é assim tão longe...

http://www.cm-elvas.pt/agenda_cultural/index.htm

Por falar nisso... Querem conhecer a lenda de São Martinho e saber por que razão existe o chamado "Verão de São Martinho"?

http://www.infopedia.pt/$lenda-de-s.-martinho

E, para terminar, fica um desafio culinário para quem tiver tempo e vontade:

http://agal-gz.org/blogues/index.php/gent/2008/10/31/o-magusto

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Um novo exercício!

Este mês propomos um exercício para recordar as profissões através do jogo da forca!

http://guida.querido.net/jogos/forca/profiss.htm

Quantos acertos? E quantas cabeças pendentes? ;)

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Vamos saber mais sobre o Porto?

Entra na página do Instituto Camões e vê o episódio sobre o Porto do programa Cuidado com a Língua! Descobre algumas expressões típicas do Norte do país.

http://cvc.instituto-camoes.pt/aprender-portugues/a-falar/cuidado-com-a-lingua.html

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

O livro do mês

O OUTRO PÉ DA SEREIA - MIA COUTO


“A viagem não começa quando se percorrem as distâncias, mas quando se atravessam as nossas fronteiras interiores.”

Mia Couto

O romance começa com o enterro de uma pequena estrela num descampado chamado Antigamente. O pastor Madzero Zero e sua mulher Mwadia procuram o advinho Lázaro Vivo e pedem permissão para entrar na floresta e enterrar a estrela. Na beira do rio, encontram uma estátua de Nossa Senhora sem um pé, um esqueleto e um baú com documentos antigos. O marco incial para o início de duas ousadas travessias, traçadas pelo sincretismo e pelos contextos históricos, políticos e sociais que marcaram Moçambique desde a origem do colonialismo português até 2002, dez anos após o término da guerra civil que sangrou a nação durante dezasseis anos.

A imagem de Nossa Senhora com o pé cortado se divide em dois tempos: Na histórica incursão do jesuíta português D. Gonçalo da Silveira que trouxe a imagem benzida pelo papa para a sua introdução na corte do Império de Monomotapa em 1560 às margens do rio Zambeze, e, em 2002, no retorno de Mwadia a Vila Longe com a missão de introduzir a imagem num lugar sagrado. Mwadia irá se deparar com suas reminiscências e medos, distante das consentidas impossibilidades de Antigamente, e será o elo entre as duas travessias que se unem com a imagem de Nossa Senhora e a necessidade de desvendar as sombras.

“Receio de que os seus já não lhe pertencessem, e que a velha casa estivesse morta.”

Todos os personagens são riquíssimos, construções preciosas do início de processo de colonização e da sociedade de Moçambique em 2002, independente desde 1975. A relação entre os portugueses, os indianos e os negros é revelada nas travessias, as etnias são marcadas, como os rios que deságuam num oceano que, sem margens à vista, é como uma náu à beira do abismo descrita pelo autor.

A chegada dos estrangeiros (afro-americanos) é aguardada com ansiedade, representa uma fonte de renda para a desolada cidade entregue ao passado. A comunidade encontra-se para forjar uma memória sobre a escravidão, já relegada ao esquecimento (é necessário esquecer para sobreviver) até pelas contradições que traz em sua própria constituição, como a captura e venda de escravos realizada pelos próprios negros. Como o escravo Xilundo que foi vendido pelo próprio pai Baba Inhamoyo, proprietário e negociantes de escravos: “No processo de ser escravo ele aprenderia a escravizar os outros.”

Os afro-americanos também precisam forjar uma presença para garantirem a sobrevivência com contas superfaturadas para ONGS que alimentam a pobreza e a autocomiseração de povos rendidos à caridade.

A lucidez das falas do barbeiro Arcanjo Mistura, guardião do espírito revolucionário, condenado a guardar seu idealismo numa fortaleza sem muros, contrapõe-se com a visão do empresário Casuarino, com a passividade do negro Zeca Matambira, funcionário do desativado correio, que teve de abandonar a carreira de boxeador porque não conseguia bater em brancos ou mulatos, e com a morte em vida do goês Jesustino Rodrigues que de tempos em tempos troca de nome em busca de identidade.

As alienações e os esquecimentos são lidos nas palavras que secaram em Zero Madzero ou na canoa que se liberta da margem do tempo e ganha o rio na lucidez ou no delírio de Mwadia. Nos retratos da sociedade que se erguem na parede dos ausentes no interior da alma da protagonista.

Mia Coutro traz à tona a origem poética da língua portuguesa, a beleza e o alcance das metáforas bem empregadas, a reflexão da história que corre como uma rio rumo aos oceanos e a necessidade de reconstruir os pés que representem a realidade das sociedades.

O final do romance é excepcional. Dá ao leitor a dimensão ampliada de tudo o que lera nos capítulos anteriores. Versos são extraídos da prosa e são vestígios para a conclusão. Um toque de mestre que transforma o livro numa canoa que no dizer da protagonista Mwadia é o que faltava em sua vida.

“Um livro é uma canoa. Este era o barco que lhe faltava em Antigamente. Tivesse livros e ela faria a travessia para o outro lado do mundo, para o outro lado de si mesma.”

A imagem de Nossa Senhora, ou Nzuzu, ou Kianda, desliza nos cursos das travessias. Seus pés são Mwadia que une e sustenta a travessia dos sonhos e histórias. Existem crenças que não precisam de alicerces em solo firme, são como água, ar, vento e se equilibram no ventre das palavras e dos silêncios. Quando expostas ao mundo trazem à tona o brilho das pequenas estrelas que precisam de um firmamento próprio para crescerem e iluminarem realidades.

“A viagem termina quando encerramos as nossas fronteiras interiores, Regressamos a nós mesmos, não a um lugar.”

Helena Sut

Publicado no Recanto das Letras em 23/06/2006

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Início do ano lectivo

Olá a todos!
Somos a Inma e a Lígia, as novas professoras de português da EOI de Navalmoral. Como sabem, já começaram as aulas, mas ainda podem matricular-se até ao dia 30 deste mês. Os que já se inscreveram, têm neste blogue e na página da EOI as referências dos manuais adoptados e/ou recomendados.

Uma nota para os alunos que têm aulas às terças e quintas: na sexta, dia 1, há aulas :).

Teremos também uma prova de nível no dia 27 às 18.00. Já se podem inscrever na secretaria da escola.

Deixamos uma sugestão musical para o mês de outubro em Cáceres:

http://www.festivaldemusicaantiguadecaceres.es/index.php?option=com_content&view=article&id=33&Itemid=41

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Novos professores! Novas ilusões!

Amanhã, 9 de Setembro, chegam dois novos professores a este Departamento de Português, já que os que aqui estivemos neste último ano (Esther Martín Vázquez e eu próprio) daremos aulas longe de Navalmoral. 
Haverá, portanto, novas ilusões, novos projectos, novas metodologias nas aulas, novas relações com este (ou outro) blogue e com a página do Facebook. Por tudo isso, só podemos ser optimistas.
Agora é o momento de agradecer o apoio que recebi dos alunos, dos colegas de Português das outras Escolas Oficiais de Línguas e de todos os que trabalharam e trabalham nesta Escuelina (o nome afectuoso para esta Escuela Oficial de Idiomas de Navalmoral de la Mata); fica, portanto, aqui a minha gratidão a todos eles. Foram quatro anos excelentes, com pouquíssimos momentos enfadonhos e muitos, muitos, cheios de sorrisos, alegrias e cumplicidades.
Concluo e a última linha só pode ser para Lígia Borges: bem-vinda!

José María Durán Gómez

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Chegou a carrinha da Gulbenkian!


Pois és, chegou a carrinha da FCG à Escola Oficial de Línguas de Navalmoral carregada com montes de livos. O Serviço Internacional respondeu com rapidez ao nosso pedido e enviou cerca de cinquenta livros: a História e Antologia da Literatura Portuguesa, a belíssima edição de As Origens de Portugal de Rómulo de Carvalho, livros de arte (Souza Cardoso ou Paula Rego, entre outros), de teoria da linguagem, de ensino de língua portuguesa, etc.
Quem quiser ler estes livros, só tem de vir à biblioteca da Escola. É fácil.
Claro, não podíamos acabar esta notícia com o nosso grande agradecimento a Fundação Calouste Gulbenkian pelo seu importante apoio.


terça-feira, 31 de agosto de 2010

Exercício lexical: aves de rapina

 Esta fotografia é de Rafael Ruiz

Já sabem que perto de Navalmoral de la Mata situa-se o Parque Nacional de Monfragüe, no qual há animais muito interessantes, nomeadamente as aves de rapina. Com este exercício poderemos aprender o nome dalgumas delas.

domingo, 22 de agosto de 2010

A caminho de Santiago (e regresso)

Compostelana
Pneu furado
Chegada a Peraleda de la Mata



Um ano atrás, no Verão de 2009, o Roberto Alonso (aluno de 2º de Nível Avançado) fez uma fascinante viagem de bicicleta por terras de Espanha e Portugal. Saiu de Sevilha e chegou a Santiago de Compostela. No regresso, partiu desta cidade galega e chegou a Valença do Minho, depois visitou o Porto, Lisboa e Elvas, entre outras cidades portuguesas, até chegar a Peraleda de la Mata, em terras da Extremadura espanhola.
Na sala de aulas,  mostrou-nos  muitas fotografias e explicou todos os pormenores: preparação da viagem, locais de acolhimento, problemas com o trânsito, amizades, etc.
Aqui mostramos unicamente algumas dessas fotografias, enquanto o texto do percurso completo pode ser lido aqui.

sábado, 21 de agosto de 2010

Colocação do pronome átono: um exercício

 

Já sabem que esta parte da gramática é um bocado complicada para os alunos espanhóis. Se calhar, este exercício de colocação do pronome pessoal átono no Português Europeu pode ajudar. Caros alunos, façam-no com tranquilidade, pois não é difícil. Completá-lo-ão adequadamente com os apontamentos na mão.

Força!

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Exercícios para saber mais de Portugal e da Lusofonia

 

Nestas duas últimas semanas de Agosto vamos colocar vários exercícios para iniciar a preparação quer dos exames de Setembro, quer do feliz regresso às aulas. E começamos com três exercícios "culturais"; o primeiro tem a ver com as belas, muito belas, seis pontes que há no Porto. Quando concluirmos as dez questões propostas, poderemos fazer o teste dos rios de Portugal e, por último, os nossos conhecimentos sobre a Lusofonia (isto é, o conjunto de estados que tem o português como língua oficial) serão aqui avaliados.

Passem bem e não deixem de visitar bab.la!

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Cabo Verde na Rádio Nacional de Espanha


O excelente programa Nómadas visitou no mês de Julho o arquipélago de Cabo Verde. Pode-se ouvir o programa completo (cerca de 55 minutos) aqui. Os jornalistas da RNE visitaram três ilhas, Boavista, Sal e Santiago (é pena não terem visitado Tarrafal). Há pequenos textos de Corsino Fortes e de Germano Almeida, além de músicas de Cesária Évora, Sara Tavares, Carmen Souza, Batuko Tabanka e Mayra Andrade.
Boa viagem (virtual)!

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Nenhum Olhar, de José Luís Peixoto

 
"PENSO: TALVEZ O SOFRIMENTO SEJA LANÇADO às multidões em punhados e talvez o grosso caia em cima de uns e pouco ou nada em cima de outros." (p. 25)

"OS HOMENS SÃO UMA PEQUENA PARTE DO MUNDO, e eu não compreendo os homens. Sei o que fazem e as razões imediatas do que fazem, mas saber isso é saber o que está à vista, é não saber nada. Penso: talvez os homens sejam pedaços de caos sobre a desordem que encerram, e talvez seja isso que os explique.
Havia um sol dentro de um sol dentro de um sol no meu olhar,..." (p. 67)

José Luís Peixoto (Galveias, Ponte de Sor, Portalegre, 1974) é uma das mais importantes vozes no panorama literário português contemporâneo (de facto existe um prémio de poesia com o seu nome). Se gostaram do conto "O dia dos anos", inserido na Antologia do Conto Português (leitura do mês em Julho), sem dúvida vão gostar de ler mais um bocadinho deste autor. A escolha de leitura para este mês de Agosto é o seu romance Nenhum Olhar, livro que recebeu o Prémio José Saramago em 2001. "Um romance de homens e mulheres da terra, de anjos e de demónios do céu" segundo as palavras do próprio romancista. Nele, traça com mestria a realidade, os medos e as emoções das vidas rurais alentejanas através das suas personagens. Digamos que é fácil enquanto lemos um texto de Peixoto recriarmos na nossa mente lugares, cheiros, luzes, rostos, pelo seu domínio da linguagem, já que nos situa como leitores num cenário quase real e cheio de vida, onde às vezes acontece que o leitor se vê envolvido até tal ponto nas histórias que percebe as sensações das personagens como próprias.
Eduardo Prado Coelho disse de Peixoto que "bastam duas linhas, e entramos num continente novo, num lugar inédito do espaço literário". E José Mário Silva diz dele que o que "torna extraordinário é a sua capacidade de avançar por esta nebulosa de sentimentos e de angústias, evitando sempre cair em qualquer tipo de retórica emocional:"
Sublinharemos que a leitura não é fácil devido à mudança dos limites espácio-temporais, à mistura do imaginativo e do real, assim como às personagens que mudam sem prévio aviso. O fluxo de consciência que às vezes faz a leitura um bocado complicada para quem não estiver muito habituado à leitura, mas em Peixoto resulta mais leve pela sua prosa poética cheia de beleza.
Recomendo-vos Nenhum Olhar. Vale a pena deleitarmos com a leitura deste romance nas férias, pois é viver mais de uma vida, é viver mais de uma história, é um autêntico prazer. E acreditem que estamos a falar de uma literatura diferente.

Boa leitura para todos!

Inês Maria (2º de Nível Avançado)

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Novo livro sobre Manoel de Oliveira


Não é a primera vez que se fala neste blogue do realizador Manoel de Oliveira (Porto, 1908) e agora o motivo é a recente publicação no Brasil dum livro que estuda a sua obra fílmica. A coerência do conjunto é conseguida pela organizadora (a professora Renata Soares Junqueira, da UNESP) ao criar cinco grandes apartados que clarificam a leitura: "Uma Poética para o Cinema", "Os Amores Frustrados", "Portugal e o Projeto Expansionista" "A Dialética do Bem e do Mal" e "Em Busca do Tempo Perdido". Ao todo são dezoito artigos, além da filmografia e da apresentação inicial, com cerca de trezentas páginas.
É, portanto, um livro para aqueles que procuram aprofundar na filmografia de Manoel de Oliveira e que, simultaneamente, celebram a força de um homem que começou  a realização de filmes (longas, médias e curtas-metragens, documentários e outras peças) em 1931 com a curta-metragem Douro, Faina Fluvial e que ainda hoje continua a sua labor artística.

Ficha do livro: Renata Soares Junqueira (organizadora), Manoel de Oliveira: Uma Presença. Estudos de Literatura e Cinema. São Paulo, Editorial Perspectiva, 2010.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Um romance finlandês


Que podemos esperar duma vintena de finlandeses num autocarro a percorrer as estradas europeias? Um grande suicídio? Este livro que começa nas frias terras da Finlândia, termina nas agradáveis costas do Sul de Portugal: El lugar era excepcionalmente bello. Los acantilados, de más de sesenta metros de altura, caían a pico en el océano color turquesa. El mar era allí cálido y su aliento no parecía tan cruel como el del Ártico. pero el agua es la misma en todos los mares

Trazemos, a seguir, um curioso comentário linguístico incluído nas últimas páginas deste romance, engraçado, irónico e um bocado zombeteiro do escritor Arto Paasilinna: 

               Al viejo y extenuado criador de renos lo sacó del mar un par de horas más tarde un pesquero  portugués cochambroso que navegaba rumbo a Terranova en busca de bacalaos. Uula pasó varias noches secando en el puente de proa sus cientos de miles de dólares, antes de que el barco llegase a su zona de pesca. En dos meses aprendió a hablar portugués, lo cual no es ningún milagro, porque la pronunciación del sami es sorprendentemente parecida. Mientras que el portugués procede del latín vulgar, el sami procede del bramido de los renos.

As citações são da edição espanhola 
(Anagrama, 2008, páginas 254 e 271), 
pois não tenho à mão a edição portuguesa de Relógio d'Água.

Chema DG